Site Loader
Rua Prudente de Moraes, 716 - Itapetininga - SP, 18200-040

Ponte metálica da estrada de ferro no bairro do Curuçá.

Créditos: More Vision Imagens Aéreas, gentilmente cedida por Vinícius Freitas

Itapetininga possui muitas obras de arte em seu território, algumas públicas, outras privadas, mas infelizmente, muitas são desconhecidas da maior parte da população e outras já bem conhecidas, sofrem pelo descaso e vandalismos, já que não existe um trabalho de valorização desse patrimônio por parte da administração pública.
Alguns desses patrimônios estão longe do centro urbano, mas nem por isso, deixam de ter seu valor, beleza e importância.
Dentre esses, destaco a ponto metálica da estrada de ferro, no km 212 do chamado Ramal de Itararé, entre as estações Itapetininga a Cesário, no bairro do Curuçá e que eu considero uma verdadeira joia presente em nossa cidade, com grande potencial turístico e que merecia atenção maior do poder público.

Como ela chegou até aqui?

Foto Nilton Almeida

A Companhia Estrada de Ferro Sorocabana passou por diversos controles acionários e até 1907 era do governo do Estado de São Paulo, que a partir desse ano, arrendou para o capitalista norte-americano Percival Farquhar.
Farquhar era proprietário da holding Brazil Railway Company (BRC), que controlava diversas companhias ferroviárias do Brasil, entre elas a Sorocabana, que ficou sob o controle da BRC até 1919.
Ao assumir a Sorocabana, a BRC realizou uma série de investimentos em infraestrutura para modernizar e atender à crescente demanda de passageiros e cargas do Ramal de Itararé, pois de acordo com o Relatório Anual da Sorocabana Railway Company de 1913, no ano de 1912, foram transportadas 411 ton. de cargas e 41.899 pessoas só no trecho de Itapetininga (De Morro do Alto ao Rechã).
Para comparação, Itapetininga nessa época possuía pouco mais de 20 mil habitantes.

Foto Nilton Almeida

Como parte dessa modernização, a empresa adquiriu novas locomotivas do tipo Mallet e Ten-wechI, mais pesadas e por conta disso, muitas pontes de madeira tiveram que ser reforçadas e outras substituídas por metálicas, mais resistentes e duráveis.
Foi então que a companhia encomendou diversas pontes metálicas da famosa e centenária empresa estadunidense American Bridge Company, de Nova Iorque e entra elas, a da nossa cidade, que foi construída em 1913.

Sobre o construtor da ponte

A American Bridge Company é um símbolo da industrialização nos EUA e foi fundada em 1900, pelo mega empresário JP Morgan, que está na lista dos homens mais ricos da história dos EUA.
A mesma empresa, construiu em 1922, a famosa ponte Hercílio Luz em Florianópolis, Santa Catarina, inaugurada em 1926.
Portanto, podemos brincar que a nossa pequena ponte, é irmã da grandiosa Hercílio Luz, cartão postal da capital catarinense.
E não é só isso, da mesma forja de onde saiu o aço da nossa ponte, saiu também o aço que está no edifício Empire States Building (1932) e no Chrysler Building (1931), ambos em Nova Iorque, bastante famosos e que já foram cenários de tantos filmes. (Quem não se lembra do King Kong escalando o Empire States?).
Se podemos brincar que as outras obras da American Bridge Company são irmãs da nossa ponte, então podemos dizer que as obras abaixo, têm relação de parentesco com ela:

Toda a estrutura metálica das primeiras instalações do complexo Disney em 1971
Joliet Lift Bridge; Joliet, Illinois – 1932
San Francisco–Oakland Bay Bridge – EUA, 1936
Verrazano-Narrows Bridge, New York Harbor – 1964
Ponte Hercílio Luz em Florianópolis – SC – 1926
Ponte semelhante à de Itapetininga, instalada em East Alton, Madison County, Illinois, EUA, utilizada até hoje pela Union Pacific Railroad.
Placa semelhante à da ponte de Itape-tininga, instalada em uma ponte metá-lica em Blunt, South Dakota, EUA

Ao contrário do Brasil, nos EUA essas pontes metálicas são bastante conservadas e possuem até fã-clubes, tanto pela história agregada, quanto pela beleza, que fornece um charme es-pecial onde estão instaladas.
E voltando para a nossa realidade e a nossa singela ponte, ela está lá, sem nenhum cuidado, sem nenhum tratamento para corrosão e muitas vezes tem partes cobertas pela vegetação.
Se não fossem pelos ciclistas e aventureiros que encaram os trilhos, o matagal e até abelhas para registrar sua beleza em fotos, muitas pessoas não saberiam que temos, como eu disse, essa joia em nossa cidade.
Só essa ponte, com um trabalho sério e dedicado, seria um grande e excelente atrativo turís-tico para a cidade, assim como tantas outras relíquias espalhadas pelo município.
Quem sabe um dia!

Post Author: Peiretti

Cadeira 11, patrono Luiz Gonzaga da Silva Leme